outubro 02, 2003

CARTA DE MOÇAMBIQUE. Do excelente José Flávio Pimentel Teixeira, que vive em Moçambique (onde fez um muito bom trabalho em nome da cultura portuguesa), recebo um mail sobre as transmissões dos jogos de futebol através da RTPi, comentando uma frase de um mail anterior de Nuno Morais sobre o assunto (publicada no Aviz hoje de manhã). Diz isto, o Zé Flávio:
Sem grandes lamúrias. Cito o que Nuno Morais escreveu: «Não pude ver o jogo — continuo sem perceber a política de programação da RTPi; talvez a limitação seja minha.» Dos jogos da Liga dos Campões será perceptível que a RTP não tenha os direitos: triste ou dificilmente perceptível, mas enfim. Mas é absolutamente espantoso que não transmita os jogos da selecção. Anda o país a esbanjar milhões a construir estádios para inglês ver (salve-se o de braga, que só de fotografia dá água na boca) e não se pode gastar uns tostões (ai, ai que saudades) para transmitir os jogos de preparação do europeu para os emigrantes e as ex-colónias (qual lusofonia?, a bola é o que sobrou do império!)? É inenarrável. Pois basta a SIC ou a TVI oferecerem mais e não vemos os jogos. E nem sequer avisam, à boa maneira ditatorial escondem as más notícias ou as pequenas derrotas. Aqui, em Maputo, no último Portugal-Brasil organizou-se um jantar com ecrã gigante para ver o jogo, ali no Marítimo, diante do Índico; umas largas dezenas de pessoas. Chegada a hora do jogo, nada! Ninguém queria acreditar. O espanto e a raiva, os palavrões. Eu na esplanada a telefonar para Lisboa (acho que passou na SIC) e vá lá que havia parabólica e que um canal sul-africano estava a passar o jogo. Entre o sintonizar e o não sintonizar chegámos ao quarto de hora, já havia 1-0. E o mesmo na inauguração do Alvalade XXI (ok portista, eu sou um moiro verde). Também se pode perceber (os direitos do jogo deviam ser do Manchester). Mas a RTP passou dias a anunciar a inauguração, o jogo, o Manchester, fez a ligação directa, transmitiu o "espectáculo" (pobre, mas a bola era que interessava) — estupidamente com os mesmos intervalos que aí havia, publicidade em Portugal oblige — e em cima do jogo, dez minutos antes a anunciar que não transmitia o jogo. E lá está, tantos a sair de casa a correr em direcção à parabólica/TvCabo mais próxima. Conversa de emigrante (ninguém nos respeita, etc e tal). Mas também conversa de quem vive em Moçambique, onde todo este anti-portuguesismo constante se dilui quando o apito soa e o esférico começa a rolar no tapete verde (Gabriel Alves dixit).