outubro 04, 2004

ELEIÇÕES EM SÃO PAULO. A derrota do PT em São Paulo na primeira volta das municipais, a consumar-se (escrevo quando estão apurados cerca de 80 por cento dos resultados e a vantagem de José Serra é de 43 para 35%), constituiria uma severa derrota para o aparelho do partido e para a ala esquerda do governo. Marta Suplicy dramatizou os resultados da capital paulista: dar um voto a Serra e ao PSDB significaria um aviso sério a Lula e à sua reeleição em 2006. Lula resistiu quanto pôde – mas acabou por envolver-se na campanha de Marta Suplicy numa altura em que as suas declarações se tinham radicalizado, sobretudo graças à influência de Favre (aliás, a ainda prefeita foi castigada pela forma como envolveu o ex-marido, o senador Eduardo Suplicy no saco de gatos de São Paulo) e à tentativa de cativar-não-cativar os votos de Paulo Maluf para a segunda volta. Os dados estão agora lançados para essa segunda volta: saber se o PT vai continuar a prometer a Paulo Maluf que abrandará a CPI sobre a lavagem de dinheiro (depois de ter feito negócios com o PTB), ou saber até que ponto a política de silêncio absoluto de Serra o pode beneficiar. Mas, sinceramente, ainda é cedo demais.

Outra nota: a confusão que pode resultar dos votos da Bahia. A confirmarem-se os resultados, salvo alguma reviravolta na política de alianças (que pode ocorrer, se o PT apoiar o César Borges, do PFL), é um rude golpe no coronelismo e no grupo de Antônio Carlos Magalhães.

No «meu município» baiano, o mais divertido é existirem candidatos com nomes assim: Evanildo da Polícia Rodoviária (do PFL), Marito do Ferro Velho (do PRP), Binho do Tiéte (PP), A. Baixinho (também candidato a vereador pelo PP), Jorge Boca d'Ouro (PMN), Carlucho (PSB) e Chapiscado (PTC).

Outra nota: «Em Fortaleza», no Ceará, escreve a Folha de São Paulo, «a candidata do PTN, Edivânia Matias Ferreira, 21, mais conhecida como a striper Deborah Soft, deve levar uma das 41 vagas de vereador. Com 78,19% das urnas apuradas, ela está no grupo dos dez candidatos mais votados, aparecendo com quase 9.000 votos. Estudante de administração, a pernambucana Deborah Soft trabalha como striper desde os 14 anos, ao lado do marido, que também é seu empresário e advogado, o mineiro Jonas Ferraz.»
Aqui está a foto da Cicciolina cearense, como lhe chama a Folha, verdadeiro exemplo do poder local: