outubro 23, 2004

UTOPIAS, 2. As utopias do século XVI (More, Campanella e Bacon, por exemplo) assentam na religião e no poder absoluto do Estado – e no bem comum que não admitia adversativas. Não deixaram de ser. Nunca poderiam ser de outra maneira. Tomando o destino da economia, do comércio ou da educação sob a orientação do Estado, tudo o resto era também determinado pelo Estado. De Campanella a Mao, as utopias foram sempre fanáticas, totalitárias e engendraram mais crimes do que se imaginava; rapidamente, as utopias transformaram os homens em inimigos de si próprios em nome de uma austeridade impossível e de outras mentiras piedosas. Podem ter sido admiráveis no desenho da felicidade – mas a felicidade de todos era de uma uniformidade assustadora, sem riso, sem vícios, sem complexidade. Poderíamos dizer que, da mesma forma como é útil ler Montaigne, o mundo também precisa de ler um pouco de Rabelais.

2 Comments:

At 9:54 da manhã, Anonymous Anónimo said...

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At 6:16 da manhã, Anonymous Anónimo said...

Excellent, love it! » » »

 

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