novembro 30, 2004

ELEIÇÕES, TALVEZ, 2. E mais: se o presidente convocar eleições apenas nessas circunstâncias, saltará à vista a jogatana preparatória que conduziu a essa decisão. Ou seja, que se andou a perder tempo para beneficiar um dos lados do tabuleiro. Os eleitores compreendem a natureza da realpolitik, mas também percebem quando fazem deles gato-sapato e quem foi beneficiado com a batota. Isto aconteceu exactamente antes da queda de Guterres, quando Durão Barroso não se decidia a pedir eleições antecipadas ou a chumbar o orçamento, posições incompreensíveis se tivermos em conta a natureza do seu discurso de então. Sócrates, percebe-se, não quer eleições já -- mas pede o fim do governo. Não sei como se há-de conciliar uma coisa com a outra.