novembro 30, 2004

ELEIÇÕES, TALVEZ NÃO. Caro Paulo Gorjão: compreendo este argumento e os outros que enumera acerca da hipótese de eleições antecipadas, nomeadamente quando escreve: «Duvido que Jorge Sampaio queira dissolver de imediato o Parlamento. Do seu ponto de vista e da perspectiva do PS não há nenhuma urgência em derrubar Santana Lopes.» E também compreendo este princípio geral: «Não é apenas o PS (ou parte dele) que não deseja -- ainda -- eleições antecipadas. Há também uma parte significativa do PSD que não tem pressa e que deseja que o Governo bata bem fundo.» A questão é que é exactamente isso que me preocupa. Porque foi ponderando razões semelhantes que o presidente não convocou eleições quando as devia ter convocado. O problema é que, com toda a probabilidade, Santana teria ganho a Ferro, eu sei.
O que me preocupa é que seja necessário esperar pela realização das Novas Fronteiras, ou da reorganização do PCP, ou do congresso do BE, ou de uma candidatura contra Santana Lopes dentro do PSD, para decidir se convoca ou não eleições. Esse argumento é tão «bom» como o que diz que não deve haver eleições porque a execução orçamental ficava em águas duodecimais. Compreendo a natureza prática e estratégica desses argumentos. Que só provam (também) que Jorge Sampaio, quando decide uma coisa, decide também o seu contrário.