novembro 12, 2004

SOBRE A QUESTÃO VAN GOGH. Se o caso Salman Rushdie tivesse acontecido nos últimos dois anos, teríamos milhares de intelectuais e de frequentadores do Fórum TSF a dizer que era bem feito (além de John Le Carré, que manteria as mesmas razões). Se a destruição dos Budas das montanhas do Afeganistão tivesse ocorrido nos últimos dois anos, teríamos talvez os mesmos milhares a inventar uma desculpa consentânea com o «multiculturalismo longe de casa» (excepto Agustina Bessa-Luís, que manteria as mesmas razões). O caso Van Gogh não implica o Islão inteiro (e sim o fundamentalismo islâmico, seja lá o que isso for); mas implica as sociedades ocidentais. Há uns anos, Diogo Pires Aurélio publicou um livro sobre a matéria, tolerar o intolerável (Um Fio de Nada. Ensaio sobre a Tolerância, edição Cosmos -- que recomendo vivamente). A Economist fala do assunto:
«[...] how far should liberal societies tolerate the intolerant? [...] After the Van Gogh murder, calls for Europe's open societies to be more aggressive towards Islamic radicals can only get louder. “Militant Islamism is only a tiny force in Europe”, wrote the conservative Frankfurter Allgemeine Zeitung, “yet it is dangerous, because many societies on this continent have elevated their defencelessness into a virtue.” Yet the risk is that, rather than the intolerant learning tolerance, the tolerant become intolerant too.»
Citação via Diplomacia Pública.