dezembro 28, 2004


SONTAG. O que eu mais gostava em Susan Sontag (1933-2004) era o facto de conseguir atrair leitores para a discussão. Excessiva, muitas vezes espalhafatosa. Eu não concordava com metade das opiniões que Sontag publicava e multiplicava, nem gostei de O Amante do Vulcão (Quetzal); preferia Na América, que desenhava um território e uma fronteira. Estive uma vez na mesma mesa, durante uma feira do livro: era impossível discordar daquela mulher que falava, falava, falava, e em que se descortinavam convicções muito brutais e também muito sinceras. Por isso não compreendi algumas das posições políticas que adoptou, mas compreendo a cosmogonia, ou seja, o conjunto de factores que a levou a ser como era, ainda que idênticos factores tivessem produzido seres e opções completamente diferentes. Enfim, era encantadora. Muitos, que a conheceram melhor, diziam que era uma chata e que tinha uma tentação disciplinadora a que não eram estranhas as suas raízes familiares, o não me custa a acreditar.