Smoke.
Pobres, vilões, feios, sujos -- eles são os fumadores no cinema. Os glamorous and positive não fumam. «Almost half of all characters who smoked were in a lower socioeconomic class.»
«We have no more beginnings.» [ George Steiner ]
Pobres, vilões, feios, sujos -- eles são os fumadores no cinema. Os glamorous and positive não fumam. «Almost half of all characters who smoked were in a lower socioeconomic class.»
11 Comments:
Já todos sabemos mais ou menos que o Seu mundo ideal é um em que todos fumem ou, no mínimo, em que os não fumadores (esses chatos que não respeitam a liberdade dos outros) vivam em guetos separados dos - esses sim - verdadeiros glamorous and positive, mas, caro Francisco, tenha lá paciência, nem tudo pode ser como nós queremos.
De resto, e lendo todo o artigo (como convém nestas coisas, digo eu...): "The fact that it tends to be the 'bad guys' who smoke in films doesn't make smoking any less appealing." .
http://being-jose-mourinho.blogspot.com/
Bjm, não seja tão redutor e agressivo. Não se trata de defender quem fuma ou deixa de fumar. Penso que esse tipo de discussão, para além de gasta, não faz sentido. O que está aqui em causa é o uso e a eficácia da imagem positiva que se transmite de "heróis" não fumadores e "vilões" fumadores. O que está aqui em causa é pretender que quem fuma é mau e quem não fuma é bom. A natureza do carácter e da sua performance não pode ser associada a um acto, a uma opção ou consumo em específico. Por outro lado, e por falar em ler com atenção, importa também ler de facto com atenção a seguinte frase: "Children and adults of all ages can be influenced by what they view in movies," said Paul Kvale, president of the American College of Chest Physicians (ACCP)." Pois. E o fumo é a pior das coisas que eles podem ver nos filmes, certo? Eu até acredito que ver o nosso herói fumar pode levar-nos a querer identificar-nos com ele, e logo, começar a fumar. Mas o problema é que os filmes, enquanto forma de arte, não têm que ser transmissores de modelos de comportamento (positivos ou negativos). Os filmes são filmes. Contam-nos histórias. Tudo o que possa formatar o seu conteúdo com determinado tipo de mensagem chama-se propaganda e deve ser rotulado como tal. Resumindo: campanhas anti-tabagismo são uma coisa, filmes são outra. Se assim não fôr, iremos ter que pensar muito bem em todos os conteúdos dos filmes que se produzem em todo o mundo... e a isso chama-se censura. Pela minha parte ainda prefiro ter a opção de fazer uma opção errada (a de fumar ou outra qualquer) do que ter alguém (sobretudo um Estado ou um Supra-Estado tipo União Europeia) que decida por mim o que está certo ou errado. E muito menos quando se pretende fazer isso através de uma forma de arte. Pense só quantos filmes iria ser necessário censurar ou inclusivamente interditar...
Destaques a Amarelo..."falou" muito bem mas há aí um pequenino detalhe...é que o seu "direito a ter a opção errada" pode vir a ser uma certa "ditadura" da sua liberdade individual, já que se "decidir" que deve fumar, está a "marimbar-se" para a saúde dos outros que poderão estar à sua volta.
Eu só fui redutor e agressivo porque este post também o é. Em nenhum ponto do artigo se refere que "Pobres, vilões, feios, sujos" são os fumadores no cinema. É a velha história da vitimização tão querida do Francisco José Viegas e dos fumadores em geral: não me deixam fumar, não posso escolher, querem-me privar dos meus direitos, das minhas liberdades... e réu béu béu pardais ao ninho.
A discussão está gasta, é verdade, mas, por muito que lhe custe (e o tabaco está caro, não?), fumar faz mal - a si e aos "sonsos e sem graça" que não fumam mas que têm que levar com o fumo dos outros. Se é preciso uma medida de um Estado ou de um Super-Estado para vos fazer ver isso, paciência. Isto era bom se pudéssemos fazer tudo o que queremos sem ter ninguém a controlar-nos, não era?...
E acho particularmente simplista (e até contraditória) a sua visão sobre o qual o papel que o cinema deve desempenhar. Não percebo onde é que o facto de um filme querer transmitir uma mensagem ou uma qualquer moral o transforma automaticamente numa forma de propaganda. Que eu saiba, não somos (todos) uns tontinhos que não consigamos separar o trigo do joio.
Se quer que lhe diga, nem sequer me parece que os números apresentados pelo artigo sejam particularmente significativos ou conclusivos. Possivelmente o mesmo estudo feito há 50 anos mostraria exactamente o contrário. Não sei. Cheira-me (no pun intended) que os autores deste estudo são fumadores...
http://being-jose-mourinho.blogspot.com/
Caro BJM: se alguma vez V. leu algum texto meu, ou me ouviu dizer coisas desse género («não me deixam fumar, não posso escolher, querem-me privar dos meus direitos, das minhas liberdades... e réu béu béu pardais ao ninho»), ofereço-lhe um churchil Ramon Allones. Nunca me queixei. Limito-me a fumar onde me é permitido; não fumo onde é proibido. Não acho que os fumadores devam ser enfiados em guetos (nem os não-fumadores). Releia o que eu escrevi. Posso dar-lhe os textos.
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Cara Nia: Eu sei que fumar faz mal. Faz mal, como muitas outras coisas nesta vida. Não estou nem nunca estive a "marimbar-me" para os outros. Fumo respeitando SEMPRE os direitos e as vontades de quem não fuma. Mesmo que esses não me respeitem muito quando me obrigam a entrar em autênticos ghetos para fumadores (nos aeroportos por exemplo) ou me fazem sair de um restaurante durante uma refeição para fumar. Mas quero ter o direito de opção. O que não admito é que alguém queira regular a minha vida ou os meus consumos, e desde que estes não invadam de nenhuma forma a privacidade e a liberdade dos outros. Muito menos através de formas de arte. Defendo as campanhas anti-tabagistas como forma de informação sobre os malefícios do tabaco. Aceito sem qualquer problema que o dinheiro dos meus impostos sejam gastos neste tipo de informação. O que não aceito e me oponho veementemente é que tais campanhas se façam contra os fumadores e a sua liberdadede de optarem conscientemente por fumar.
bjm: em relação ao cinema propaganda e ao não sermos "tontinhos"... enfim, há tantos exemplos de povos inteiros que foram (e continuam a ser) "tontinhos" e se deixam influenciar por esses tipos de "informação"... pense um bocadinho nisso.
Em relação ao Estado ou Super-Estado controlador, não caro bjm. Não, mil vezes não. Não se trata de "fazermos tudo aquilo que queremos" e você sabe muito bem que não é isso que está em causa. Quem defende um Estado que regulamente desta forma as nossas práticas, consumos e etc, mais cedo ou mais tarde acaba por morder a própria cauda (sem ofensa). Tenha cuidado porque esse tal Estado ou Super-Estado pode estar a preparar algo que não lhe agrade ou que proiba um dos seus legítimos consumos ou práticas... por exemplo escrever o que lhe apetece num blogue. Garanto-lhe que há gente neste Estado, e em muitos outros, que adoraria poder controlar este tipo de prática.
Caro FJV, praticamente todos os seus textos (no blog mas não só) sobre a questão fumadores vs não-fumadores estão carregadinhos de um sentimento de queixume, de quem não pode fumar onde bem quer e lhe apetece porque hoje em dia, e cada vez mais, os espaços para os amantes do tabaco são reduzidos. Não se esqueça que até chegou a apelidar de "chatos" e "merdosos" aqueles senhores de Bruxelas que decidiram ordenar que se retirasse a designação Suave do Português Suave. Não vale por isso a pena mandar-me os seus textos, embora eu agradeça tal amabilidade.
A questão crucial para mim é: os fumadores não são incomodados com as nossas (não-fumadores) acções. Nada do que estamos a fazer incomoda OU FAZ MAL. Eu tenho o direito de nao ser incomodado ou prejudicado. Tal como os fumadores... Directa ou indirectamente, eu sou prejudicado pela inalação do fumo, para além de detestar o cheiro, a bem dizer. Agora: eu não faço nada para incomodar ou prejudicar os fumadores. A verdade é que, salvo em raríssimas excepções (também era melhor...) os fumadores podem exercer o seu vicio/prazer livremente; já os não fumadores têm que viver nos locais com fumo, aceitando o fumo.
Numa esplanada, por exemplo, onde é permitido fumar, se estiver alguém a fumar ao meu lado, e o fumo vier ter comigo, eu sei que JAMAIS poderei pedir para nao me incomodar... Porquê? Porque os fumadores acham que têm o direito de fumar onde podem e são raros os que acham que nao devem importunar os outros.
Por acaso alguma vez ouviu um fumador dizer coisas como "eu sei, isto faz uma fumarada incrível... mas é um prazer fumar. Peço desculpa... eu sei que para muita gente é incomodativo, e prejudica as pessoas... mas toda a gente fuma e eu aproveito. Mas, de facto, as pessoas nunca deveriam fumar ao pé de outras que não aceitassem...". Claro que não. A resposta é INVARIAVELMENTE "já nao se pode fumar em lado nenhum. São uns fascistas!".
Endless talk, eu sei, por isso... desisto.
PS - Não sei o que é um Ramon Allones. Presumo que seja um charuto, certo? Nesse caso dispenso.
E eu revindico o direito a que ninguém mande baforadas destas para o ar - da pior poluição mental e humorística - quando eu estou, numa boa, na esplanada de um blog!
Caro Destaques a Amarelo:
"Mas quero ter o direito de opção"...entendo de uma forma teorica e de acordo com a nossa Constituição.MAS...quem me garante que NESTE CASO,esse seu direito não toma partido por fumar e pronto?Ou somos todos conscientes e carregadinhos de civismo?Se o problema fosse só seu e sua saúde...tudo bem!Mas o que está aqui em causa são os OUTROS, os não fumadores.
Eu , por acaso até não sou "extremista" e não me incomoda muito fumarem ao pé de mim, excepto quando estou a comer!Abomino olhar com um ar desconfiado para um suposto peixe grelhado e achar que ele foi grelhado em cima de meia dúzia de maços de cigarros.
Mas, sei que não é disso que se trata...é o tal direito de "opção"!Repito:NESTE caso opto pela "ditadura " que protege a saúde .Está mal?Não creio.Olhe, muito haveria para falar, inclusivé da hipocrisia que grassa por aí e por aqui e por "ali"...Mas fico-me por aqui, hoje.Nem vou falar em várias poluições mentais que por aí abundam.Vou de férias e dar uma voltinha por este nosso Portugal que vai queimando queimando...a propósito..não será uma rebelião de fumadores que vão deitando uns cigarritos para as matas em sinal de protesto contra o "direito de opção" que não têm?!:) Brincadeira...não leve a mal.Há que rir de vez em quando, mesmo de coisas sérias,para ganhar fôlego para mais uma batalha.Fique bem.
Ora, ora...
Mas tu... sim, tu, FJ Viegas,
não havias decidido deixar de fumar cigarros?
Era uma sábia decisão, digna de ti.
Ademais, poderíamos ter o gosto de ver, nas orelhas dos teus livros ou no alto d' algum artigo, uma foto em que aquele tolo cigarrinho não compartilhe com teu rosto o primeiro plano.
Charutos, ainda vá lá... um baseadinho aqui outro ali...
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