Agosto 11, 2005

Smoke.

Pobres, vilões, feios, sujos -- eles são os fumadores no cinema. Os glamorous and positive não fumam. «Almost half of all characters who smoked were in a lower socioeconomic class.»

11 Comments:

At 12:52 da manhã, Anonymous bjm said...

Já todos sabemos mais ou menos que o Seu mundo ideal é um em que todos fumem ou, no mínimo, em que os não fumadores (esses chatos que não respeitam a liberdade dos outros) vivam em guetos separados dos - esses sim - verdadeiros glamorous and positive, mas, caro Francisco, tenha lá paciência, nem tudo pode ser como nós queremos.
De resto, e lendo todo o artigo (como convém nestas coisas, digo eu...): "The fact that it tends to be the 'bad guys' who smoke in films doesn't make smoking any less appealing." .

http://being-jose-mourinho.blogspot.com/

 
At 4:10 da manhã, Blogger Sérgio Aires said...

Bjm, não seja tão redutor e agressivo. Não se trata de defender quem fuma ou deixa de fumar. Penso que esse tipo de discussão, para além de gasta, não faz sentido. O que está aqui em causa é o uso e a eficácia da imagem positiva que se transmite de "heróis" não fumadores e "vilões" fumadores. O que está aqui em causa é pretender que quem fuma é mau e quem não fuma é bom. A natureza do carácter e da sua performance não pode ser associada a um acto, a uma opção ou consumo em específico. Por outro lado, e por falar em ler com atenção, importa também ler de facto com atenção a seguinte frase: "Children and adults of all ages can be influenced by what they view in movies," said Paul Kvale, president of the American College of Chest Physicians (ACCP)." Pois. E o fumo é a pior das coisas que eles podem ver nos filmes, certo? Eu até acredito que ver o nosso herói fumar pode levar-nos a querer identificar-nos com ele, e logo, começar a fumar. Mas o problema é que os filmes, enquanto forma de arte, não têm que ser transmissores de modelos de comportamento (positivos ou negativos). Os filmes são filmes. Contam-nos histórias. Tudo o que possa formatar o seu conteúdo com determinado tipo de mensagem chama-se propaganda e deve ser rotulado como tal. Resumindo: campanhas anti-tabagismo são uma coisa, filmes são outra. Se assim não fôr, iremos ter que pensar muito bem em todos os conteúdos dos filmes que se produzem em todo o mundo... e a isso chama-se censura. Pela minha parte ainda prefiro ter a opção de fazer uma opção errada (a de fumar ou outra qualquer) do que ter alguém (sobretudo um Estado ou um Supra-Estado tipo União Europeia) que decida por mim o que está certo ou errado. E muito menos quando se pretende fazer isso através de uma forma de arte. Pense só quantos filmes iria ser necessário censurar ou inclusivamente interditar...

 
At 2:42 da tarde, Blogger Nia said...

Destaques a Amarelo..."falou" muito bem mas há aí um pequenino detalhe...é que o seu "direito a ter a opção errada" pode vir a ser uma certa "ditadura" da sua liberdade individual, já que se "decidir" que deve fumar, está a "marimbar-se" para a saúde dos outros que poderão estar à sua volta.

 
At 3:09 da tarde, Anonymous bjm said...

Eu só fui redutor e agressivo porque este post também o é. Em nenhum ponto do artigo se refere que "Pobres, vilões, feios, sujos" são os fumadores no cinema. É a velha história da vitimização tão querida do Francisco José Viegas e dos fumadores em geral: não me deixam fumar, não posso escolher, querem-me privar dos meus direitos, das minhas liberdades... e réu béu béu pardais ao ninho.
A discussão está gasta, é verdade, mas, por muito que lhe custe (e o tabaco está caro, não?), fumar faz mal - a si e aos "sonsos e sem graça" que não fumam mas que têm que levar com o fumo dos outros. Se é preciso uma medida de um Estado ou de um Super-Estado para vos fazer ver isso, paciência. Isto era bom se pudéssemos fazer tudo o que queremos sem ter ninguém a controlar-nos, não era?...
E acho particularmente simplista (e até contraditória) a sua visão sobre o qual o papel que o cinema deve desempenhar. Não percebo onde é que o facto de um filme querer transmitir uma mensagem ou uma qualquer moral o transforma automaticamente numa forma de propaganda. Que eu saiba, não somos (todos) uns tontinhos que não consigamos separar o trigo do joio.
Se quer que lhe diga, nem sequer me parece que os números apresentados pelo artigo sejam particularmente significativos ou conclusivos. Possivelmente o mesmo estudo feito há 50 anos mostraria exactamente o contrário. Não sei. Cheira-me (no pun intended) que os autores deste estudo são fumadores...

http://being-jose-mourinho.blogspot.com/

 
At 5:16 da tarde, Blogger Francisco J. V. said...

Caro BJM: se alguma vez V. leu algum texto meu, ou me ouviu dizer coisas desse género («não me deixam fumar, não posso escolher, querem-me privar dos meus direitos, das minhas liberdades... e réu béu béu pardais ao ninho»), ofereço-lhe um churchil Ramon Allones. Nunca me queixei. Limito-me a fumar onde me é permitido; não fumo onde é proibido. Não acho que os fumadores devam ser enfiados em guetos (nem os não-fumadores). Releia o que eu escrevi. Posso dar-lhe os textos.

 
At 6:14 da tarde, Blogger Attila said...

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At 7:26 da tarde, Blogger Sérgio Aires said...

Cara Nia: Eu sei que fumar faz mal. Faz mal, como muitas outras coisas nesta vida. Não estou nem nunca estive a "marimbar-me" para os outros. Fumo respeitando SEMPRE os direitos e as vontades de quem não fuma. Mesmo que esses não me respeitem muito quando me obrigam a entrar em autênticos ghetos para fumadores (nos aeroportos por exemplo) ou me fazem sair de um restaurante durante uma refeição para fumar. Mas quero ter o direito de opção. O que não admito é que alguém queira regular a minha vida ou os meus consumos, e desde que estes não invadam de nenhuma forma a privacidade e a liberdade dos outros. Muito menos através de formas de arte. Defendo as campanhas anti-tabagistas como forma de informação sobre os malefícios do tabaco. Aceito sem qualquer problema que o dinheiro dos meus impostos sejam gastos neste tipo de informação. O que não aceito e me oponho veementemente é que tais campanhas se façam contra os fumadores e a sua liberdadede de optarem conscientemente por fumar.
bjm: em relação ao cinema propaganda e ao não sermos "tontinhos"... enfim, há tantos exemplos de povos inteiros que foram (e continuam a ser) "tontinhos" e se deixam influenciar por esses tipos de "informação"... pense um bocadinho nisso.
Em relação ao Estado ou Super-Estado controlador, não caro bjm. Não, mil vezes não. Não se trata de "fazermos tudo aquilo que queremos" e você sabe muito bem que não é isso que está em causa. Quem defende um Estado que regulamente desta forma as nossas práticas, consumos e etc, mais cedo ou mais tarde acaba por morder a própria cauda (sem ofensa). Tenha cuidado porque esse tal Estado ou Super-Estado pode estar a preparar algo que não lhe agrade ou que proiba um dos seus legítimos consumos ou práticas... por exemplo escrever o que lhe apetece num blogue. Garanto-lhe que há gente neste Estado, e em muitos outros, que adoraria poder controlar este tipo de prática.

 
At 8:54 da tarde, Anonymous bjm said...

Caro FJV, praticamente todos os seus textos (no blog mas não só) sobre a questão fumadores vs não-fumadores estão carregadinhos de um sentimento de queixume, de quem não pode fumar onde bem quer e lhe apetece porque hoje em dia, e cada vez mais, os espaços para os amantes do tabaco são reduzidos. Não se esqueça que até chegou a apelidar de "chatos" e "merdosos" aqueles senhores de Bruxelas que decidiram ordenar que se retirasse a designação Suave do Português Suave. Não vale por isso a pena mandar-me os seus textos, embora eu agradeça tal amabilidade.
A questão crucial para mim é: os fumadores não são incomodados com as nossas (não-fumadores) acções. Nada do que estamos a fazer incomoda OU FAZ MAL. Eu tenho o direito de nao ser incomodado ou prejudicado. Tal como os fumadores... Directa ou indirectamente, eu sou prejudicado pela inalação do fumo, para além de detestar o cheiro, a bem dizer. Agora: eu não faço nada para incomodar ou prejudicar os fumadores. A verdade é que, salvo em raríssimas excepções (também era melhor...) os fumadores podem exercer o seu vicio/prazer livremente; já os não fumadores têm que viver nos locais com fumo, aceitando o fumo.
Numa esplanada, por exemplo, onde é permitido fumar, se estiver alguém a fumar ao meu lado, e o fumo vier ter comigo, eu sei que JAMAIS poderei pedir para nao me incomodar... Porquê? Porque os fumadores acham que têm o direito de fumar onde podem e são raros os que acham que nao devem importunar os outros.
Por acaso alguma vez ouviu um fumador dizer coisas como "eu sei, isto faz uma fumarada incrível... mas é um prazer fumar. Peço desculpa... eu sei que para muita gente é incomodativo, e prejudica as pessoas... mas toda a gente fuma e eu aproveito. Mas, de facto, as pessoas nunca deveriam fumar ao pé de outras que não aceitassem...". Claro que não. A resposta é INVARIAVELMENTE "já nao se pode fumar em lado nenhum. São uns fascistas!".
Endless talk, eu sei, por isso... desisto.

PS - Não sei o que é um Ramon Allones. Presumo que seja um charuto, certo? Nesse caso dispenso.

 
At 12:18 da manhã, Anonymous Anónimo said...

E eu revindico o direito a que ninguém mande baforadas destas para o ar - da pior poluição mental e humorística - quando eu estou, numa boa, na esplanada de um blog!

 
At 1:20 da manhã, Blogger Nia said...

Caro Destaques a Amarelo:

"Mas quero ter o direito de opção"...entendo de uma forma teorica e de acordo com a nossa Constituição.MAS...quem me garante que NESTE CASO,esse seu direito não toma partido por fumar e pronto?Ou somos todos conscientes e carregadinhos de civismo?Se o problema fosse só seu e sua saúde...tudo bem!Mas o que está aqui em causa são os OUTROS, os não fumadores.
Eu , por acaso até não sou "extremista" e não me incomoda muito fumarem ao pé de mim, excepto quando estou a comer!Abomino olhar com um ar desconfiado para um suposto peixe grelhado e achar que ele foi grelhado em cima de meia dúzia de maços de cigarros.
Mas, sei que não é disso que se trata...é o tal direito de "opção"!Repito:NESTE caso opto pela "ditadura " que protege a saúde .Está mal?Não creio.Olhe, muito haveria para falar, inclusivé da hipocrisia que grassa por aí e por aqui e por "ali"...Mas fico-me por aqui, hoje.Nem vou falar em várias poluições mentais que por aí abundam.Vou de férias e dar uma voltinha por este nosso Portugal que vai queimando queimando...a propósito..não será uma rebelião de fumadores que vão deitando uns cigarritos para as matas em sinal de protesto contra o "direito de opção" que não têm?!:) Brincadeira...não leve a mal.Há que rir de vez em quando, mesmo de coisas sérias,para ganhar fôlego para mais uma batalha.Fique bem.

 
At 11:15 da tarde, Blogger Gaia said...

Ora, ora...
Mas tu... sim, tu, FJ Viegas,
não havias decidido deixar de fumar cigarros?
Era uma sábia decisão, digna de ti.
Ademais, poderíamos ter o gosto de ver, nas orelhas dos teus livros ou no alto d' algum artigo, uma foto em que aquele tolo cigarrinho não compartilhe com teu rosto o primeiro plano.
Charutos, ainda vá lá... um baseadinho aqui outro ali...

 

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